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A floresta de Alma

A floresta de Alma

Alma não sabia se era uma floresta ou um bosque. Era difícil definir. Saber a diferença. E esta, se é que havia, era mínima. Só sabia que gostava de passear por lá entregue em seus pensamentos.
E assim, quando isto acontecia, no seu caminhar se via entre árvores, arbustos, plantas rasteiras e cipós, muitos cipós. E fazia uma analogia com a vida.
É que neste seu caminhar, tanto na floresta quanto na vida, muitas vezes se enroscava nos cipós, pulava alguns troncos caídos, pisoteava a vegetação rasteira e se sujava toda de pó vermelho da terra vermelha. E isto quando estava tudo seco. Os tempos ditos normais da vida. 
Mas quando chovia era uma lama só. Densa, pegajosa, escorregadia, traiçoeira. Tanto assim que chegou a escorregar feio algumas vezes. E foram tombos de cair sentada no chão. Doloridos!
Gostava também de ouvir os sons dos insetos. E lembrou dos burburinhos das grandes cidades. E também o revoar dos pássaros, das borboletas e das abelhas. Das trilhas das formigas. E pensou na movimentação das pessoas mais apressadas ou menos apressadas. 
Começou então a perceber a correspondência que havia entre o seu pensar e o que encontrava em seu caminhar pela floresta. 
Quando seus pensamentos eram tristes, os obstáculos do caminho se faziam mais frequentes. E ela se enroscava nos cipós, nos arranha-gatos e levava seus tombos. 
Mas era só começar a lembrar de coisas boas que tudo parecia clarear. Se via imediatamente em alguma clareira. As flores apareciam com mais frequência e as borboletas eram mais bonitas.
Chegou a conclusão de que independentemente de onde estivesse era sempre melhor ter bons pensamentos….. E….
Esta arte é uma abstração de uma vista panorâmica de um bosque ou floresta. Com muitas clareiras. E suas trilhas, sua vegetação, seus cipós, suas árvores de estranhas copas e até uma nascente de água…. Tal qual a vida de qualquer um….