Artwork · Colagens

Um polvo

Um polvo

Sob um ponto de vista do alto, panorâmico, tinha-se a impressão de que eram muitas ferrovias e todas se dirigindo a um centro comum. Talvez…
E, sim, era um centro. Pulsante, inteligente. Era a cabeça de um ser. E dela saiam muitos tentáculos ou braços. 
E a dona desta cabeça com seus tentáculos agarrava tudo o que podia. E suas ventosas tinham um poder de sucção muito forte. E agarrava tudo o que podia pelo seu caminho. 
Não se sabia se assim agia por gulodice ou… talvez egocentrismo. 
Não importa. O que importa é que esta criatura, no afã de se apoderar de tudo, não estabelecia nenhum critério para sua “colheita”. 
O fato é que acabava inclusive agarrando lixo. Puro lixo. Tão comum hoje em dia nos nossos oceanos. 
Sei que com o passar do tempo ela começou a perceber que não tinha tempo para usufruir de tudo o que agarrava. E nem tudo era interessante. 
Foi aí então que pouco a pouco foi soltando e desprendendo tudo o que não precisava. Pois é, pra que? 
Então ela voltou a sua condição de molusco: um simples polvo (octopus – oito braços).
E queria mais era viver em paz pegando um que outro peixinho para seu sustento. E só.