Artwork

A subjetividade da Arte

A subjetividade da Arte

Era um quadro de um museu. E muita gente passava por ele. E as interpretações a respeito dele variavam muito. 
O primeiro jovem casal a fixar a atenção nele chegou bem cedo. E ele, muito romântico e saudoso, ao ver o quadro se emocionou demais. 
Começou a lembrar de quando ele, há pouco tempo atrás, viajou em busca de sua amada. Agora ao seu lado. 
Mas naquele tempo resolveu atravessar o mundo em busca dela em terras distantes. 
Então se viu dentro do quadro e dentro do avião. E enquanto este avançava ia imaginando que toda as suas boas energias se confundiam com as do deslocamento do avião. Uma energia boa que se espalhava rapidamente e ia para os quatro cantos do mundo. Que emoção!
E, na sua cabeça, as imagens do que estava por vir era a de uma linda grande cidade. E a que deixou foi ficando distante e de ponta cabeça. Sim, pois se foi para o outro lado do mundo assim estaria a que deixou. Só ficava no lugar e não caía por causa da gravidade. 
E assim esteve por um bom tempo apreciando aquela obra tão significativa. 
Mas, eis que mais tarde, vem um casal de idosos e também se depara e começa a apreciar o mesmo quadro. 
E ele então, que é meio enfezado, começa a pensar: puxa! Vejam só. É um morcego soltando pum e meio que zonzo pois não está acostumado a voar durante o dia. 
Fica então fazendo vários círculos. Grandes, pequenos, mais altos e mais baixos. 
Apesar da sua tontura olha sempre pra baixo para apreciar a vista. E começa então a pensar em silêncio: – vejam só que coisa estranha. Uma parte da cidade cresce para cima e outra parte para baixo. É de ponta cabeça mesmo. Dizem que são as ditas construções do metrô, que se enterram há 30 metros ou mais. E tem linhas de superfície e outras, a maioria, subterrâneas. 
Sabe me adapto melhor às subterrâneas. Tudo escurinho. É mais minha praia. Agora, não entendo estes humanos com este seu complexo de tatú. Mas enfim…
O sr. já estava há vários minutos ali. E se deu conta de que pensava igual ao morcego….hummm…
Ainda bem que a arte é muito subjetiva. E aqui são só duas interpretações para o mesmo quadro. Mas há muitas mais…