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Era um mundo feliz….

Era um mundo feliz…

Mas que foi engolido por uma sucuri. Ops! Não, sucuri, não. Mas quase igual. Era um dragão azul. E isto porque ele queria se disfarçar bastante. Não vermelho como estamos acostumados a ver. 
A vida era bela. Não perfeita, mas indo. Aos trancos e barrancos. Mas indo. 
Se fosse feito um corte longitudinal, como a arte procura representar, teríamos mais ou menos a seguinte situação: os acontecimentos, como se fossem traços que sempre começavam lá embaixo. Muitas vezes frios, outras vezes quentes ou ainda mornos. Mas, o mais comum, era estarem misturados. 
De vez em quando ficava tudo meio embolado. E até fazendo nós. Mas por pior que fossem sempre arranjavam uma válvula de escape. Como se fosse o caminho de uma lava de vulcão subindo em direção à cratera. 
E ainda neste caminho encontravam mais tumultos, medidas imperiais equivocadas, opressoras, apesar das reclamações e protestos. Mas tudo ficava sempre na mesma. Ou seja, não se resolvia nada. Tudo sempre empurrado com a barriga. 
A única coisa que acontecia era um pouco de fumacinha preta saindo de vez em sempre da cratera. 
E o caminho da lava sempre variando entre o linear e o tumultuado. Mas seguia adiante. 
Agora… o que se murmurava por aí é que o grande mal não vinha lá de baixo, de dentro. Mas de lá de fora. Do alto. E não era de Deus. 
Viria voando, sorrateiro, bonito e mostrando-se dócil e convidativo. Hum… Sei lá, né?
Bom… num belo dia o tempo escureceu. Tudo ficou uma sombra só. Ninguém sabia o que era. E, eis que, de repente, foi avistado pelos daqui de baixo, uma figura estranha, enorme e escurecendo o tempo cada vez mais…
Já era tarde: tudo foi engolido rapidamente e de uma vez só. E direto para o estômago do dragão azul. Tal qual o estômago de uma sucuri imensa.