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Sobre o trampolim da piscina

Sobre o trampolim da piscina

Estava já preparada para pular. E, parei, porque do trampolim de 10 metros de altura avistei a beleza da piscina lá embaixo. 
O fundo sobretudo era de cores vibrantes, e balançando. E se via que também era bem profundo. E só pode ser, né? Para um trampolim tão alto, a piscina tem que ser bem profunda. E quando a gente pula vai como uma bala…bem fundo. 
Confesso que estava com um certo medo de pular. Nunca se sabe como vai ser a queda. Para quem é treinado, é fácil. E ainda faz acrobacias. E é bonito. 
Agora eu! Quem sou eu para dar saltos? Eu só dou daqueles saltos de bolinha. Aqueles em que a gente encolhe e abraça as pernas. E pula. E quando chega lá no fundo fica meio que perdido, em silêncio, e em meio a muitas e muitas borbulhas. Até que consegue sair à tona d’água. 
Isto se parece muito ao momento atual de minha vida. Ou seja, sobre o trampolim, avistando muita beleza lá embaixo. Pensativa e sem coragem de pular. 
É que já deixei muita beleza para trás. Deixei um porto seguro. E não posso descer as escadas do trampolim de volta. Só me resta criar coragem, e pular. 
E ao estar mergulhada bem no fundo da piscina, ver tudo turvo, e sentir um certo frio por mais quente que a água esteja. E voltar à tona d’água. Refeita.