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A bailarina protesta

A Bailarina protesta –
Hoje era o dia de sua apresentação. Estava empolgadíssima. Não era a primeira, e com certeza não seria a última. 
Passou o dia refazendo todos os passos da coreografia. E foi um tal de “Pas de Bourrée – plié”de todos os tipos, e mais muitas outras piruetas, o dia inteiro. 
E agora estava bem ansiosa porque estava já chegando a hora do início do espetáculo. Mas também porque estava inconforme e irritada com todo o barulho e balbúrdia da manifestação de lá do lado de fora. O dia inteiro houve tumulto. Um inferno!
O local do teatro ficava bem próximo ao MASP. Local mais requisitado para este tipo de manifestação. De todos os tipos aliás. E por isto tudo o que acontecia lá fora tinha reflexos aqui dentro. 
Era um sem fim de protestos contra tudo e contra todos. Às vezes até sem sentido algum. Mas fato é que de qualquer maneira, fosse lá o que fosse, atrapalhavam bastante. 
Mas chegou a hora da apresentação. E durante esta tudo correu relativamente bem. O único contratempo era a altura do vozerio lá fora. Tão alto que chegava a interferir no som das músicas. Aff!!! . 
Por fim o espetáculo chegou ao fim. E todo o corpo de ballet foi intensamente aplaudido. E as cortinas se fecharam. Mas quando voltaram a reabrir, como é de praxe, pois as salvas de palmas não paravam, eis que vem a nossa bailarina com duas placas de protesto que diziam: “Abaixo gentinha” e “abaixo mundinho”. Nossa! Não era esperado. 
E ela foi ovacionada não só pela sua dança, mas também pela sua forma inusitada de protesto.