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A nova passageira do metrô São Paulo


A nova passageira do metrô São Paulo – Eu estava descendo por uma das escadarias do metrô e avisto de longe aquela forma tão pequena sobre um daqueles postinhos de sinalização. E logo me chamou a atenção. É que ela era amarela e preta. E ali ao seu redor tudo era de concreto ou aço. O seu colorido se destacava. 
Acho que ela entrou por uma das portas da estação e começou seu passeio. Mas ela logo se deu conta de o espaço era muito maior e mais profundo do que imaginava. Mais profundo que qualquer de seus pensamentos. 
Apesar de, sempre ter sido curiosa por conhecer tudo o que era o metrô São Paulo, ali pousou porque estava assustada e tensa.
Mas, a curiosidade venceu. E logo depois que a avistei e fotografei, levantou vôo com tal de conhecer tudo. 
Ela continuou sua viagem e a primeira coisa que percebeu foi que o ar que respirava era totalmente artificial. Tudo alimentado por enormes equipamentos de ar condicionado. Tão diferente do ar de lá de fora. 
Estava também impressionada com as enormes estruturas de aço e concreto. Mas tão diferente das árvores frondosas de lá de fora sobre as quais pousava. 
E a iluminação também era impressionante. Enormes as luminárias por toda parte. E como iluminavam! Era diferente da luz do sol de lá de fora. Eram como o sol aqui embaixo da terra.
E continuou… aquele burburinho de pessoas indo e vindo apressadas. E se amontoavam igual se amontoavam nas ruas lá do lado de fora. 
Também havia sinalizações. Muitas. Tal era a complexidade dos espaços a percorrer sem se perder. Tão diferente do mundo lá de fora onde pássaros, insetos ou outras borboletas se deslocavam livremente sem nenhum tipo de obstáculo ou orientação. 
Logo chegou às plataformas. Ficou mais impressionada
ainda. Com tráfego dos trens. A velocidade deles. O tamanho e o barulho que faziam. As pessoas entrando e saindo nos vagões. Que confusão! Tão diferente do convívio com seus pares lá do lado de fora. 
E, ainda xeretando tudo, avistou os túneis escuros. Vários! Imensos! Sei lá onde iam dar. E para um deles se dirigiu. E se perdeu para sempre na escuridão. 
E eu triste não mais a vi.