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A solitária

A solitária

Estava insatisfeita com sua vida vegetativa. Tudo muito sem graça. Nada mais lhe agradava. O que fazer? Para onde ir? Queria ir para bem longe. 
E assim, meio que sonhando, meio que desperta…e imaginando…foi até a estratosfera. Ainda não era o que queria. Não era suficiente. 
Seguiu até percorrer todas as camadas ao redor da Terra a chegou ao espaço sideral. Ah! Agora sim. Estava perfeito! Silencioso, escuro e frio.
Começou a olhar para seu corpo e se viu belíssima. Azul e prata. Cores que jamais teve na Terra. Ia ser muito elogiada por toda esta beleza. Uiiiiiii! Aí lembrou, mas quem vai me ver se estou na maior solidão possível! 
Também começou a pensar em quanto tempo já estava ali. Como assim? O tempo aqui era muito diferente. Tempo! Mas aqui era tudo mais devagar. Iria envelhecer mais devagar. Ah! Mas e daí? Que importância tinha isto se ninguém ia ver mesmo! Deixa isto pra lá também. 
Aí pensou em ouvir aquela musiquinha que os humanos ouviam ao lado de uma bela fogueira e próximo a árvore mãe de onde se desprendeu. Vixe! Mas como se aqui nestas alturas o som não se propaga e luz vinda de fogo também não funciona. Também deixou pra lá. 
Total que tudo aquilo começou a ficar desinteressante. Na Terra é que havia muitas coisinhas interessantes para fazer. Estar pregada a sua árvore mãe fazendo fotossíntese junto de todas as outras irmãs folha. Sentir o calor do sol. Receber a água das chuvas que lhe davam um brilho e um cheiro especial. Sentir o vento, a névoa que às vezes cai. Enfim tantas coisas lindas que só agora estava percebendo. 
Quis voltar. E logo o fez. E aqui já estando começou a buscar coisas bonitas mesmo em meio a muitas coisas feias da vida e do mundo. Ia ser uma otimista. Isto sim!