A bolsa das ilusões

A bolsa das ilusões
A bolsa das ilusões

Quando sua vida começou ela nem sabia quem era. E para o mundo era só mais um ser que havia nascido entre outros tantos. A medida que foi crescendo começou a entender um pouco mais das coisas da vida. 
E foi quando começou a se iludir, imaginar e sonhar muitos sonhos. De todos os tipos. Uns possíveis. Outros não. E foi acumulando tudo.
E as ilusões, mas não só, e as coisas imaginadas e mais as sonhadas começaram a fazer muito volume. Não cabiam mais em sua cabeça e em sua alma. Precisava dar um jeito de guardar tudo aquilo de alguma forma. Tornar tudo aquilo palpável, consistente com uma existência física. Ou quase. 
Foi assim que acabou comprando uma bolsa. Toda transparente, maleável e de acordo com o que seria seu conteúdo. E, lógico, ficou muito vistosa porque era cheia de bons sonhos.
E assim andava feliz com sua bolsa de sonhos, ideias e ilusões.
E a medida que ia realizando cada um deles, eles por si só desapareciam do interior da bolsa abrindo espaço para outros.
Só um detalhe escapou da observação dela. Não percebeu que no fundo da bolsa havia um furo por onde muito do seu conteúdo saía e se perdia para sempre. 
A um princípio ficou bem triste com estas perdas. E chorou. Mas com o passar do tempo se conformou e pensou que havia uma certa lógica por trás daquilo. Ou seja, que na vida a bolsa pode estar bem cheia, abarrotada de coisas. Mas nem tudo é prático, é possível ou que vale a pena. É uma furada! E acho que esta conclusão se chama maturidade. 
Esta maturidade nos torna mais conformados. E por isto as coisas que se foram pelo furo… bem, se elas se foram e não foram percebidas é porque não eram importantes. Deixa pra lá. 

%d blogueiros gostam disto: